quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Daniel Libeskind: impressora de memórias.

Com sons e dimensões exageradas, um projeto de arquitetura toca e transmite o sentimento de uma nação.

Guggenhein e MoMA á parte a minha maior curiosidade por aqui era saber o real sentimento americano em relação á guerra e ao acontecimento de 11 de setembro. Tudo que vemos em documentários e filmes é muito exagerado, queria ver e ouvir de um americano sem câmeras e diretores o que esses anos significaram para eles. Depois de todas as minhas conversar enxeridas, a visita ao Ground Zero veio dar forma ao meu pensamento do que significa essa era "ataque-guerra" para os americanos.
Maquete do Master Plan do Ground Zero - Lower Manhattan
Ground Zero é o Master Plan feito pelo arquiteto Daniel Libeskind para a área onde, em 1977 foram erguidas as torres que viraram cinza no dia 11 de setembro de 2001. O projeto foi eleito pela população de Nova York, entre tantos outros projetos feitos para o concurso por renomados escritórios de arquitetura, entre eles  Norman Foster, Shigeru Ban, Rafael Vinoly, Richard Meier, Steven Holl, Peter Eisenman entre outros.
Estudo de ensolação: Em todo dia 11 de setembro, entre 8h46 (horário em que o primeiro avião colidiu com o WTC) e 10h28 (hora da queda da segunda torre), o "sol incidirá sobre os parques sem formar sombras num tributo perpétuo ao altruísmo e à coragem"


O master plan possúi inúmeras torres altíssimas e com janelas de vidro espelhados e no centro um parque com o memorial. A área o centro forma um grande espaço público criado em homenagem às vítimas do atentado, com duas áreas chamadas Park of Heroes (Parque dos Heróis) e Wedge of Light (algo como "o suporte da luz"). Atualmente a área é um canteiro de obras, e apenas a área do memorial com as piscinas que está disponível para visita.
Imagem atual - live cam do site http://www.911memorial.org/911-memorial-webcam
Torres em obra ao fundo, uma das piscinas no parque central.
  

Para visitar é preciso entrar no site e fazer a reserva do horário em que planeja ir, imprimir o ingresso em casa. No meu caso, optei pela opção de imprimir o ingresso no local com o código que me foi dado no site. Depois de andar pela área fortemente policiada, finalmente cheguei á entrada para o memorial, com uma fila aceitável se formando. Quando fui perguntar onde ficavam os totens de impressão, quase precisei de um mapa; era um percurso enorme. E no meio do percurso eu entendi tudo... passei por um "museu" do atentado (com fotos, informações, roupas dos bombeiros que foram utilizadas no 11 de setembro...) e por uma lojinha de souvenir do ground-zero. O monumento nem pronto está, e já se tem todo um marketing e uma organização econômica em torno da área! E finalmente, com o ingresso na mão, entrei na bendita fila; e como se não bastasse, por alguns segundos eu me senti em um aeroporto: raio x, scanners, guardas com cachorros... Sério mesmo?! Claro... os americanos trabalham na base do "nunca se sabe, e se..." - Fui comentar com meu amigo americano o quão inacreditável que era o sistema de segurança para entrar em um local que futuramente será uma praça pública; e ele já começou me bombardeando de "e se": "Claro, nunca se sabe... e se alguém joga uma bomba? é um canteiro de obras, pode ser perigoso!", "E se alguém entra com spray para danificar o memoria americana?"

Ok. Entendido. A ferida ainda está cicatrizando e essa conversa cutuca o emocional dos americanos. Talvez por isso que eles adotaram Libeskind para ocupar e transformar a área. Torres megalomaníacas á parte, ele soube tocar os americanos com o seu discurso da mémoria, da vida. A memória não é dele. Ele não passou por isso como um americano realmente passou. Mas soube entender o sentimento e repassar em forma de traços e detalhes arquitetônicos, construindo algo que de alguma forma vai tocar quem chega ao memorial; seja com o barulho das águas fortes das piscinas, seja com a dimensão delas, seja com os inúmeros nomes de vítimas cravados no bronze das bordas das piscinas. Lisbeskind faz com que pessoas que não viveram o drama de 11 de setembro; como ele; consigam sentir uma porcentagem nem que mínima, de todo esse sentimento de orgulho ferido.
Para ver outros memoriais e projetos: Daniel Lisbeskind website
Para informações de visita ao memorial: 911memorial website
Para informações do concurso e da área lower: Renew NYC website

Um comentário:

  1. Embora esse projeto seja realmente imponente e tenha como vc bem disse tocado o emocional dos americanos (orgulho ferido para sempre), não consigo esquecer as torres gêmeas (World Trade Center) que tanto glamour passou para NYC...Várias vezes estive em ambas as torres! Olhar para fotos delas me remete a há tempo feliz e elegante que não volta mais!!! É a mesma sensação que sinto qdo vejo fotos da minha boa e velha PanAm....
    De qq forma o seu blog está muito bom! Parabéns Luana!

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