Com sons e dimensões exageradas, um projeto de arquitetura toca e transmite o sentimento de uma nação.
Guggenhein e MoMA á parte a minha maior curiosidade por aqui era saber o real sentimento americano em relação á guerra e ao acontecimento de 11 de setembro. Tudo que vemos em documentários e filmes é muito exagerado, queria ver e ouvir de um americano sem câmeras e diretores o que esses anos significaram para eles. Depois de todas as minhas conversar enxeridas, a visita ao Ground Zero veio dar forma ao meu pensamento do que significa essa era "ataque-guerra" para os americanos.
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| Maquete do Master Plan do Ground Zero - Lower Manhattan |
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| Imagem atual - live cam do site http://www.911memorial.org/911-memorial-webcam |
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| Torres em obra ao fundo, uma das piscinas no parque central. |
Para visitar é preciso entrar no site e fazer a reserva do horário em que planeja ir, imprimir o ingresso em casa. No meu caso, optei pela opção de imprimir o ingresso no local com o código que me foi dado no site. Depois de andar pela área fortemente policiada, finalmente cheguei á entrada para o memorial, com uma fila aceitável se formando. Quando fui perguntar onde ficavam os totens de impressão, quase precisei de um mapa; era um percurso enorme. E no meio do percurso eu entendi tudo... passei por um "museu" do atentado (com fotos, informações, roupas dos bombeiros que foram utilizadas no 11 de setembro...) e por uma lojinha de souvenir do ground-zero. O monumento nem pronto está, e já se tem todo um marketing e uma organização econômica em torno da área! E finalmente, com o ingresso na mão, entrei na bendita fila; e como se não bastasse, por alguns segundos eu me senti em um aeroporto: raio x, scanners, guardas com cachorros... Sério mesmo?! Claro... os americanos trabalham na base do "nunca se sabe, e se..." - Fui comentar com meu amigo americano o quão inacreditável que era o sistema de segurança para entrar em um local que futuramente será uma praça pública; e ele já começou me bombardeando de "e se": "Claro, nunca se sabe... e se alguém joga uma bomba? é um canteiro de obras, pode ser perigoso!", "E se alguém entra com spray para danificar o memoria americana?"
Ok. Entendido. A ferida ainda está cicatrizando e essa conversa cutuca o emocional dos americanos. Talvez por isso que eles adotaram Libeskind para ocupar e transformar a área. Torres megalomaníacas á parte, ele soube tocar os americanos com o seu discurso da mémoria, da vida. A memória não é dele. Ele não passou por isso como um americano realmente passou. Mas soube entender o sentimento e repassar em forma de traços e detalhes arquitetônicos, construindo algo que de alguma forma vai tocar quem chega ao memorial; seja com o barulho das águas fortes das piscinas, seja com a dimensão delas, seja com os inúmeros nomes de vítimas cravados no bronze das bordas das piscinas. Lisbeskind faz com que pessoas que não viveram o drama de 11 de setembro; como ele; consigam sentir uma porcentagem nem que mínima, de todo esse sentimento de orgulho ferido.
Para ver outros memoriais e projetos: Daniel Lisbeskind website
Para informações de visita ao memorial: 911memorial website
Para informações do concurso e da área lower: Renew NYC website







